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  • A morte não fecha o círculo da vida, somente renova-o...
  • Um anjo, assim como um ser humano, possui livre arbítrio... porém seu custo sempre será mais caro.
  • O amor é o oposto do ódio, mas nada impede que um gere o outro...
  • O ódio consome o ser, enlouquece e cega ao ponto de não se saber mais o que se está fazendo.
  • Cair é a consequência de se trair aos teus próprios pilares.
  • O mundo muda de acordo com o pensamento das pessoas...
  • No fundo, todos queremos ver o pôr-do-sol.
  • Um anjo pode amar?.
  • Mesmo obscurecido, não perdeis à fé em teu Criador.
  • Redenção... um árduo caminho a se seguir.
  • Ao cair o anjo pode redimir-se ou tornar-se o pior dos demônios.
  • A Estrala da Manhã nunca optou pela redenção.
  • Para os Homens, os sentimentos pesam muito em sua escolhas.
  • Os anjos não possuem sentimentos como os dos Homens.
  • A maioria somente sabe o que é vida ou morte. Anjos não possuem sentimentos, seguem ordens.
  • Porém, anjos também possuem coração.

Resumo do Conto

     Desperto em um corpo humano no mundo corrompido que ele acredita ter sido esquecido por Deus, Daniel busca por um meio de retornar à graça divina e readquirir suas asas e sua aura angelical. Após cair e perder sua memória ele caminha buscando respostas.
     Unindo-se a um grupo liderado por outro Anjo, Daniel aprende os valores mortais e acaba descobrindo os motivos do Altíssimo para colocá-los sempre à frente da raça perfeita: seus Anjos.
     Romance, Aventura, Suspense... Elementos que farão parte da nova vida de Daniel, pós-queda. Um Imortal em um corpo Mortal. A Ultima Sombra de esperança Pré-Apocalíptica.

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Capítulo 9 – O Primeiro e o Último

Daniel estava estupefato com a revelação daquele anjo caído que se encontrava à sua frente. Ele não conseguia dizer nada, não por temor e nem por qualquer sentimento similar, mas sim por estar diante daquele que muitos clamavam como um bode de chifres oriundo dos confins do submundo. Na verdade, um belo ser que apesar de jogar bem com as palavras, ainda sim se portava como um anjo após tantos anos sendo considerado um demônio-rei. Ele não conseguia tirar da mente que tudo o que muitos dos seus conhecidos mais religiosos conheciam sobre Lúcifer era mera bobagem religiosa. Neste momento Daniel começa a se questionar se tudo aquilo que ouviu sobre Deus, o céu e o inferno, fosse verdade ou então algo ampliado e distorcido do que realmente era. Mas antes que sua cabeça desse um nó, Lúcifer começa a falar respondendo algumas de suas dúvidas:

- Deve estar se perguntando: Mas o que o “Diabo” veio fazer aqui? Ou talvez não, porém posso lhe responder caso aceite conversar comigo...

Daniel se levanta e Lúcifer acena para que ele continue na cama. O jovem se recosta na cabeceira de forma a se acomodar para ficar mais tranqüilo. O Decaído continua a falar:

- Bem, vamos começar do começo. Sei tudo o que acontece aqui neste mundo, pois se não se lembra, sou aquele que mais se aproximou ao poder de Demiurgo. Sei também que não possui lembrança nenhuma de quando estava lá em cima, afinal, eles gostam de nos tirar tudo, nos jogar aqui e ficar lá de cima olhando pela janela para ver se nos tornamos tão normais quanto os queridinhos. Sabe do que eu estou falando... parece até um papo de um filho revoltado, mas veja pelo meu ponto de vista, poderíamos ser pelo menos um pouco mais dignos de receber uma vida normal.

Lúcifer caminha pela sala enquanto prossegue:

- Na verdade, não sei se é de maldade, se é que ele conhece essa palavra pelo seu real significado ou se é só mais um hobbie, ou se é ao acaso que somos feitos do ouro e do nada nos jogam aqui no mundo de barro. Porém, não vamos adentrar muito neste assunto, afinal, não estamos falando sobre o que eu penso e sim sobre você.

Neste momento o primeiro caído se vira para Daniel e se curva para trás para sentar. Como num piscar de olhos, o espaço vazio existente atrás do anjo decaído é preenchido por uma cadeira de madeira, perfeitamente entalhada e de certo luxo. Lúcifer sorri com o feito e sem dar espaço para perguntas, ele prossegue:

- Sei também o exato local onde você caiu, onde viveu nestes meses e pelo que passou nos últimos dias. E acredite, não tenho nada a ver com a visita de Astaroth... para ser sincero, até gostei do fato dele ter sido enviado de volta ao sexto círculo infernal por Raziel, pois eu precisava mesmo dar uma lição naquele infeliz... – uma breve pausa é feita por ele, mas logo continua - Então, você deve estar se perguntando o motivo de eu não ter sido o primeiro a lhe visitar, ou talvez, do por que eu não lhe levei para o Seol, como quis o Grão Duque que lhe abordou na ultima noite. A resposta é simples: Demiurgo lhe deu uma chance de viver como um ser nascido do barro, quem sou eu para lhe parar na rua e lhe dizer que você já foi um anjo, mas que foi lançado dos braços de seu pai para este mundo sem um motivo plausível?

A expressão no rosto de Lúcifer era sincera, mas talvez pudesse esconder algum truque e isso faz com que Daniel indague aquele que lhe falava:

- E por quê hoje você tem um motivo?

Lúcifer sorri e aponta para Daniel respondendo:

- Bingo! Você chegou aonde eu queria! Hoje você está nos braços de um grupinho muito anormal. Mas ninguém lhe deu chance alguma de dizer se queria ou não estar aqui... e o pior, Azazel começou a espalhar que você está aqui na Terra em um corpo mortal, o que faz de você um alvo fácil para muitos dos maltratados lá do submundo que querem se vingar do Demiurgo por motivos que eles mesmos não lembram mais. Enfim, eu venho aqui somente para esclarecer coisas que ainda não foram ditas... venho somente para ajudá-lo a entender o que está acontecendo e lhe mostrar que você tem opção, se unir ou se recolher nesta guerra que acontece por debaixo dos panos.

Daniel se mantém em silêncio. Lúcifer estava lhe dando muitas opções e até lhe tratando demasiadamente bem para alguém que carrega a fama de ser completamente maligno. Ele estava totalmente indeciso do que poderia fazer, então, aproveitando que ele se propôs a responder qualquer pergunta, o jovem faz a mais simples dela:

- O que eu, no estado atual, poderia fazer para me proteger de você ou de qualquer outro que me apareça agora, neste exato momento? Como Astaroth fez?

Lúcifer não pensa para responder esta pergunta, ele já tinha a resposta na ponta da língua, mas se contém por alguns segundos gesticulando com as mãos, definindo um nível alto e um baixo com as mãos. Em seguida ele diz:

- Seria como comparar uma formiga com um elefante. Sem tirar nem pôr. Você não poderia fazer nada contra nenhum de nós, seja infernal ou angelical.

Daniel pensa um pouco. Sua próxima pergunta seria mais direta e ele esperava que Lúcifer respondesse com mais detalhes. Ele pergunta:

- O que está acontecendo? Digo, esta guerra que você diz, quero saber com detalhes o que está acontecendo por trás dos panos que protegem os olhos da humanidade.

Lúcifer sorri com animação e então comenta sua empolgação, respondendo a pergunta logo em seguida:

- Ah! Daniel... me intriga como você se acostuma rápido com as coisas. Bem, vamos ao que interessa. Há alguns séculos, eu poderia até estender para uns dois milênios. Quem sabe? O que é considerado pecado para os homens foi extinto dos limitadores angelicais. O que isso quer dizer? Me parece que vocês... arghh... desculpa, você não faz mais parte do Coro. – ele faz uma cara triste de deboche, mas logo volta à expressão de interessado que estava – Mas voltando, me parece que para os anjos, os pecados agora só contam como um taxímetro, medindo o valor que todos devem para ser pago no fim. Ou seja, quanto mais pecadora é a humanidade, mais perto do Apocalipse ela está. E você já percebeu como o mundo está aí fora? Um caos tem se iniciado há alguns anos... todos os anjos e os demônios falam sobre um fim próximo. Mas para mim, esse fim já começou. Tanto faz, são só especulações, pois ninguém possui a verdade, ou se possui, sabe esconder muito bem.

Lúcifer levanta-se e começa a caminhar pelo quarto novamente enquanto prossegue:

- Então, com isso tudo, se iniciou a Guerra do Apocalipse. Onde os demônios mais insignificantes que conseguem vir à este mundo tentam corromper mais e mais a humanidade para que ela tenha um fim, e os mensageiros do Demiurgo que vem à esse mundo para ajudar a humanidade com aquele papo de virtudes e código de ética, conduta e moral... O problema é que isso tudo fugiu do controle. Parece que os anjos pararam de vir e os demônios começaram a fugir do inferno com tanta presteza que eu mesmo não sei quem está em casa ou quem não está. Essa é a guerra que eu falei, a Guerra do Fim. Que, aqui para nós, parece que o povo lá de cima pendurou as chuteiras!

Daniel não gostava disso. Pelo que parece, tudo que ele conheceu à tão pouco tempo já estava perto de terminar. Ele não queria isso e então com uma grande convicção, pergunta:

- E se eu arrumar uma forma de recuperar meus poderes angelicais, será que podemos fazer algo para impedir essa guerra de acabar com o mundo?

Lúcifer faz uma expressão de tédio e chega até a bocejar. Mas logo em seguida responde sem ânimo algum:

- Você acha que pode? Só você mesmo pode responder essa sua pergunta. Afinal, não se esqueça que eu estou no lado oposto ao seu nesta guerra, apesar de deixar claro que não estou interessado em nenhum conflito. Além do mais, a guerra é somente uma conseqüência, o que está acabando com o mundo é a própria humanidade. O Demiurgo esqueceu de seus queridinhos...

Daniel se levanta da cama, convicto do que está para falar. Lúcifer sorri de canto de boca já entendendo a reação do jovem. O rapaz, cheio de boa intenção e amor ao próximo diz:

- Então me ajude a recuperar minha Aura Angelical!

Lúcifer abaixa a cabeça deixando seus cabelos negros e longos caírem sobre seu rosto. Sua face muda para uma expressão mais digna do Diabo e então ri baixinho. Logo ergue sua mão e tira parte do cabelo na frente do rosto somente para olhar nos olhos de Daniel. Seu corpo vai se esvaindo até atravessar o solo e sumir enquanto ele diz:

- Nada mais do que o esperado pelo Último Caído... Aqui vai um presentinho meu para sua “Bênção”.

Logo após o sumiço de Lúcifer, das paredes começam a brotar corpos humanos desfigurados, como se fossem vermes saindo de um corpo em decomposição. Estes seres possuíam a pele esticada como se fosse queimada, todos feridos como se estivessem acabado de sair de uma sala de torturas e feições nada agradáveis como se estivessem famintos por décadas. Eles gemem de dor, grunhem de fome. Lúcifer deixa seus Devoradores como presente.

Capítulo 8 – Caído e Decaído

Eles sem entreolham vendo Daniel se apresentar. O primeiro a se adiantar neste ritual é o verdadeiro dono do corpo que Raziel possuiu, andando na direção de Daniel e estendendo a mão enquanto diz:

- Prazer em conhecê-lo, Daniel – a Misericórdia de Deus, eu sou Ramon Salles...

O jovem anjo estranha toda aquela coisa de anjo e Deus, afinal, no pouco tempo que recorda de sua vida ele poderia até ser reconhecido como um ateu, pois nem ligava para religiões e todos esses detalhes. Mas agora ele era intitulado um tipo de enviado de Deus. Não deixando de apertar a mão de Ramon, Daniel olha para os outros esperando que digam algo, mas aparentemente eles não possuíam intenção de se declarar, e por isso Ana se adianta e começa a apresentá-los:

- Aquele sentado na mesa se chama Dante, e a mulher de pé é chamada por todos nós de BlackWolf, mas seu verdadeiro nome é Talutah.

Daniel sorri para os dois, mas não só contente com isso, se aproxima de Dante e diz:

- Prazer.

Dante olha de canto de olho e diz:

- Fala aí.

Daniel se sente meio constrangido, mas não comenta nada. Então segue até a mulher e estende a mão para cumprimentá-la, dizendo:

- Prazer em conhecê-la também.

Talutah olha para ele com um sorriso cínico e diz:

- Não vejo nada demais neste garoto... Ana, ele é mesmo um anjo? Raziel parece ser muito mais imponente e importante.

Daniel se sentiu completamente ridicularizado. Ele abaixou a cabeça e um enorme peso tomou suas costas. Afinal, anjos e demônios, pessoas estranhas e organizações secretas. Onde ele estava? Será que isso tudo era algum tipo de “Super sonho”?

Enquanto o jovem anjo se afundava em desgosto, os outros continuaram a conversa:

Dante: - Deixa de ser esnobe, BlackWolf, ele foi jogado lá de cima para este mundo decrépito em um corpo humano. Você queria o quê? Que ele ainda estivesse recheado com creme angelical? Provavelmente seus poderes estão selados e ele deve ter que romper este selo.

Talutah: - Bah... Dante, ninguém lhe chamou na conversa.

Ana: - Não discutam... o Iluminado mal chegou e vocês já estão em pé de guerra? Não dão um minuto de descanso?

Talutah e Dante: - “Baba-Anjo”.

Ramon por sua vez segue até Daniel e diz:

- Amigo, está com fome? Acredito que lhe chamaram para comer conosco... Por que não os deixamos discutindo e vamos almoçar?

Todos olham para Daniel que se contém em responder de imediato. Os olhares eram quase inquisidores, como se aguardassem sua resposta para decidir o que fazer. Então ele diz:

- Espero que minha chegada venha a trazer mais união e não desunião. Ainda tenho muito que entender...

Dante olha sério e diz:

- Também vai querer comida na boca? Qualquer coisa só pedir para a Puxa-saco aí...

Ele aponta para Ana enquanto fala, e ela frisa o cenho fazendo uma expressão muito irritada. Ramon prende o riso enquanto BlackWolf se escangalha de rir, quase batendo no móvel em que se recostava. Daniel começa a se irritar, mas deixa de lado para não arrumar mais atritos. Ele só queria ser gentil, mas parecia que aqueles dois não seriam nem um pouco amigáveis. Por fim, ele decide se abster de qualquer comentário a não ser o anúncio de sua retirada:

- Bem, então faça como desejarem. Se esperavam por mim para comer, agora não precisam mais esperar...

Logo em seguida Daniel pega uma maçã em uma tigela que se encontrava em cima da mesa e retirou-se para seu quarto. Quando Ana fez menção em seguí-lo, este acenou para que ela ficasse e subiu as escadas. Ramon olhou feio para Dante que respondeu:

- O que foi? O garoto não gosta de brincadeiras?

Por sua vez, Talutah diz com um tom cínico:

- Talvez ele precise de um tempo para se adaptar à gente.

...

Daniel chega em seu quarto, ele entra e fecha a porta. Muitas coisas passam por sua cabeça, mas ele decide somente deitar e refletir sobre tudo o que havia acontecido até agora. Ao se deitar, Daniel se perde um pouco de toda a sua preocupação e se atenta a maciez do colchão, ao relaxamento dos músculos e ao peso que diminuía de seus pesares. Seu corpo relaxa e sua mente se esvazia. Novamente Daniel estava completamente só e consigo estava em paz. Mas isso não durou por muito tempo, quando ele repara em um vulto surgindo no canto do olho e decide olhar, nota que um homem estava sentado ao seu lado na cama, recostado na cabeceira. Ele era alto, assim como Raziel, e com traços tão perfeitos quantos os dele também. Sua pele era clara a ponto de ser completamente pálida, seus olhos estavam fechados, seus cabelos eram negros como a noite e seu porte físico era o mesmo de seu amigo anjo. De imediato ele pensa: “outro anjo”, mas nada diz. Somente o susto que toma e o salto que seu corpo dá involuntariamente são suficientes para chamar a atenção deste que se encontra ao lado. Os olhos se abrem revelando uma escuridão incomensurável em formato de íris. Ele diz:

- Olá Daniel... tive de vir me apresentar ao mais novo membro desta corte de palhaços...

O jovem tenta falar algo, gagueja e então consegue dizer:

- Q-q-q...quem é você?

Aquele ser se levanta deixando sua túnica branca se esticar e revelar alguns detalhes interessantes para Daniel. Seus braços portavam braceletes feitos de puro ouro, em sua cintura havia um tipo de cinturão similar à aqueles que eram feitos na idade medieval para os nobres, seus pés estavam cobertos por um tipo de bota fina e bem desenhada de material brilhoso. Em suas costas havia um longo manto negro escorrendo por cima de seus ombros que estava preso por um precioso broche também feito de ouro no peito. Seu olhar volta-se para Daniel, após dar alguns passos para fora da cama e ele prossegue com a resposta:

- Sou mais um dos expulsos lá de cima... Assim como você. Alguns me chamam de Senhor, outros de Coisa-Ruim... Mas eu sou somente mais um Decaído, o primeiro para ser mais exato. No passado me chamavam de Lúcifer... acho que deste nome você lembra... Daniel.

Capítulo 7 – A Avareza e a Generosidade

Após Daniel passar pela porta, ele logo nota que está em um grande corredor. Há pelo menos umas seis portas no local, até onde seus olhos podem ver. Sem rumo, ele decide aguardar pela mulher. Logo Ana sai do quarto em que ele estava e indica o quarto de Raziel, sem dizer uma palavra devido o constrangimento anterior. Daniel não se intimida, não aguarda, e segue em frente abrindo a porta. Seu corpo estava sendo mais impulsivo do que de costume, mas ele agora seguia seus sentimentos, que apesar de estarem confusos, ainda lhe eram ponto chave para tomar decisões. Enquanto isso Ana adentra o local logo atrás dele, puxando um aparelho celular e fazendo uma ligação tomando cuidado para que sua voz não incomode a conversas dos dois que acabam de se encontrar.

Raziel estava deitado, mas tão logo Daniel despertou, ele sentiu sua energia e decidiu aguardar que viesse em sua procura. No fundo, ele sabia que Daniel faria isso. Então aguardou até ouvir o som da porta se abrindo. Neste instante, ele levanta-se descobrindo o corpo ao empurrar o lençol. Para a surpresa de Daniel, Raziel estava diferente. Não em essência, pois agora Daniel sentia algo parecido com a energia fantástica que emanava do corpo do amigo, mas sim em aspecto. O anjo, líder dos Querubins, agora era mais alto, uma aparência mais delineada, cabelos negros e longos medindo abaixo de suas costelas, olhos claros e serenos. Suas vestes eram simples, no corpo um tipo de túnica branca que recobria todo o seu ser, impecavelmente costurada com detalhes na divisão para as pernas e prolongamento para os braços, no rosto um tipo de máscara para a boca feita de tecido suave. Raziel era completamente diferente daquele homem que se apresentou para Daniel no hospital. Isso fez com que o jovem paralisasse, confuso, desnorteado. Como se entendesse o que afligia o Principado, Raziel começa a falar:

- Daniel, essa é minha verdadeira forma...

Após ouvir essas palavras, Daniel entra em um estado vegetativo, como se algumas lembranças do passado viessem à tona.

-*-*-*-*-*-*-*-*-FLASH DE MEMÓRIA-*-*-*-*-*-*-*-*-

Daniel estava junto de Haniel, seu líder de ordem, aguardando informações de um membro da ordem dos Potências. Eis que então que Aniel surge dos céus com suas belas asas e mesmo antes de pousar, ele diz:

- Haniel, Daniel, venho comunicar que os Céus foram vitoriosos! Não tivemos baixas e não viemos a interferir no mundo, como ordenado pelo Altíssimo. Porém, um de nós foi visto em sua verdadeira forma por um humano. Ele é Raziel, que insiste em tentar voltar e consertar o que fez. Parece que agora o trabalho é dos Principados de organizar a bagunça que os demônios deixaram na Terra.

Haniel olha para Daniel com grande surpresa e este lhe retribui o olhar. Eles pensavam em como o líder dos Querubins poderia voltar atrás com o erro que cometeu. Então, prontos para o trabalho, os dois se despedem de Aniel e seguem para a Terra para fazer com que os ventos se espalhem e a terra vibre em fúria sobre as cidades antes dominadas pelos demônios com a permissão de humanos mal intencionados.

-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-

Voltando ao seu corpo, Daniel ainda não diz nada. O silêncio toma o lugar, mas não dura muito, Raziel continua:

- Não estranhe esta pele, estes cabelos ou estas vestes. Pois é um anjo e um dia já se portou com similares. Mais hoje não é dia de se descobrir mais do que já se sabe. Estou fraco, usei muita de minha energia e preciso descansar. Peço o mesmo a você. Ana irá lhe apresentar aos residentes, depois, volte ao seu quarto e durma. Amanhã será um longo dia.

Logo em seguida o anjo se deita, voltando-se para o teto com o olhar, longe de pensar no lugar onde estava, longe dali. Daniel por sua vez, decide acatar o pedido de Raziel, agora as lembranças vinham com mais constância e ele já estava se decidindo de que era mesmo um anjo. Logo olha para Ana que sorri condescendente com os desejos ainda não expressos do rapaz, vira-se para a porta e acena para que ele saísse. Desanimado com o descaso de Raziel, Daniel sai e procura esperar por Ana na porta, analisando o lugar mais uma vez.

No corredor, Ana decide dizer algumas coisas antes de prosseguir:

- Iluminado, creio que esteja com fome. Por isso, organizei um almoço de apresentações para você. Acredito que já estão todos lá em baixo à nossa espera. Venha comigo por favor, assim será mais fácil conhecer a todos de uma vez.

Daniel nada diz, ainda se sentia perdido. Em seu íntimo, se perguntava por que não estava nos céus se era um anjo, ou se agora ele tinha uma nova família. Ele estava perdido, estava completamente zonzo e impotente aos acontecimentos recentes. Por fim, segue a mulher até as escadas no final do corredor. Ao descer um lance de escadas, ele chega ao que parece ser um hall de recepção, com uma grande porta que aparentava ser a entrada do local e duas outras passagens sem portas em cada um dos dois lados da sala. Aguardando Ana seguir até o ponto de destino, Daniel olha para os móveis e percebe que o estilo antigo que tomava posse do quarto em que despertou também era decoração do resto do ambiente, fazendo assim daquele lugar uma representação típica dos filmes que ele já havia visto quando se referia à mansão de um duque, ou lorde medieval.

Entrando na passagem à esquerda das escadas, eles chegam ao que parece ser uma sala de jantar onde há uma enorme mesa com mais de vinte cadeiras. O local permanecia com a mesma decoração. Haviam duas pessoas sentadas na mesa e uma de pé, recostada em uma estante. A pessoa de pé chamou mais a atenção de Daniel por ser uma mulher de belas curvas, cabelos medindo pouco abaixo dos ombros num tom negro como a sombra, pele morena num tom claro, olhos também negros e lábios carnudos, seus traços assemelhavam-se ao de índios. Porém, sua personalidade transmitia um ar esnobe quando ela dá de ombros ao ver a chegada do jovem. Suas roupas eram simples e curtas, um top que realçava seus grandes seios e um pequeno short que deixava a poupa de sua bunda para fora, ambos de cor branca.

Os dois que estavam sentados eram mais simples, um homem com cabelos pretos e curtos em portando um aspecto arrepiado, roupas negras simples e longas, de porte magro e traços europeus. Já o outro, era conhecido por Daniel como o antigo “corpo” de Raziel. Este ultimo sorri para os recém chegados e se levanta dizendo:

- Enfim acordado.

Aquele que veste roupas negras diz, ainda sentado:

- Acredito que a festa vai começar agora. Finalmente vamos beber vinhos caros e comer algo descente!

Daniel, se sentindo na obrigação de dizer algo, dá um passo à frente e fala:

- Não há necessidade disso. Gostaria de me apresentar... sou, Daniel...

Capítulo 6 – A Diligência e a Preguiça

“O corpo celeste estava todo representado ali. Não deixava faltar ninguém, desde que muitos dos ausentes não eram mais necessários nos planos do Altíssimo. A Voz de Deus estava aguardando todos se posicionarem em seus lugares para passar o motivo daquela reunião. Asas para cá, asas para lá e muitos deles ainda batiam papo para passar o tempo. Daniel estava atrasado, mas não deixou de comparecer. Ele havia voltado às pressas após deixar tudo em ordem dentro de seus afazeres.

Metatron olha para todos e abre todas as suas imensas asas chamando a atenção geral. Todos se prontificam a ouvi-lo. Daniel estava ansioso, seu líder estava logo ao seu lado, o anjo Haniel. A voz daquele que carrega as palavras do Altíssimo começa a entoar uma triste canção:

- Meus irmãos... venho a todos comunicar que a humanidade está escolhendo caminhos obscuros para seguir em frente. Nós, como seus guias e protetores, não podemos deixar que o Abismo tenha seus portões abertos devido ao nosso próprio descuido. Quando o primeiro traidor se revelou e levou consigo muito do que éramos, o princípio de tudo veio a se ferir e com ele todo os planos da existência também. Por isso recebi ordens de anunciar que o fim dos dias está próximo...

Um grande bafafá se inicia e Metatron acaba por se calar, afinal, ele só estava repassando o que lhe foi revelado.”

Daniel desperta em uma cama macia. Ele tem a mesma sensação de quando despertou naquele quarto de hospital. Sua memória demora para revelar os fatos que aconteceram antes dele chegar aonde estava, revendo tudo o que havia passado até agora desde que despertou naquela lixeira no centro da cidade em que começou sua nova vida. Mas agora, tudo estava ainda mais estranho, pois além dos recentes fatos que surgiram em sua vida, os sonhos com anjos retornavam trazendo a ele memórias que nem ele sabia ao certo se eram dele.

A cama em que se encontrava estava coberta por um fino lençol branco. A mobília era antiga e de cor marrom escura, as paredes pintadas de branco carregavam diversos símbolos e desenhos, enquanto as janelas eram recobertas por grossas persianas escuras. Não haviam muitos aparelhos eletrônicos, talvez somente aquela pequena TV posta em cima do gaveteiro. Um pequeno abajur se encontrava ao lado esquerdo da cama com a luz acesa deixando o quarto pouco iluminado, mas de forma que tudo ali fosse visto. A única saída era uma porta à direita da cama, alguns metros após o armário que se localizava naquele canto do quarto.

Logo que tudo ao seu redor é analisado visualmente, Daniel lembra-se do combate entre Raziel e aquela criatura de nome complicado. Logo se levanta, como se precisasse voltar e ajudá-lo. Mas para sua surpresa, uma voz suave como a brisa do anoitecer, retira seus pensamentos chamando por seu nome. Ele olha na direção da porta e nota que a mesma havia sido aberta por uma mulher, aquela mesma mulher que lhe estendeu a mão para salva-lhe do deslizamento. Ela estava parada no vão de entrada do quarto, recostada com um dos ombros no acabamento de madeira com seus grandes e amendoados olhos repousando-se sobre ele. Sem ação, Daniel somente aguarda-a pronunciar suas próximas palavras:

- Iluminado seja, Daniel, Anjo da Misericórdia Divina...

O jovem nada diz. Ainda estava muito inseguro de qualquer coisa para pronunciar-se. Daniel não gostava de dizer coisas incertas, e por isso preferiu-se manter quieto. Porém, aquela mulher volta a falar:

- Acordou em um bom momento, todos estão em casa, inclusive aquele por quem você chamou durante horas enquanto dormia.

A imagem de Raziel veio em sua mente. Porém, algo muito peculiar lhe chamava atenção naquela mulher. Sempre que ela abria sua boca para falar-lhe algo, uma doce e bela melodia surgia nos ouvidos do jovem de forma a encantá-lo. Mas no momento, outros assuntos eram importantes e Daniel decide ignorar mais um pouco esse detalhe, prontificando-se a fazer sua primeira pergunta:

- ... hmmmm... Desculpe-me, mas como se chama?

Ela adentra o quarto preparando-se para responder-lhe, mas acaba por assustar o jovem quando se ajoelha e praticamente o reverencia:

- Me chamo Ana Liz de Lucio, mas pode me chamar somente por Ana ou Liz. Sou a mais aqui... e estou pronta para servir-lhe.

Daniel se aproxima, abaixa próximo dela e pega-a pelos ombros. Ana se assusta com a aproximação repentina e ainda mais quando ele a levanta. O jovem diz:

- Não faça reverências para mim, por favor. Sou gente como você, não sou nada mais do que isso e não tem por quê fazer isso. Agora, por favor, me diga: onde estou?

Ana Liz se sente um pouco confusa com o que Daniel disse, mas decide então responder o que ele perguntou:

- Esse é o nosso abrigo. Está localizado na cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Mas não se preocupe com isso agora... você tem que descansar...

Daniel olha fundo nos olhos de Ana, de uma forma que eles nem precisam trocar palavras para ela entender que aquilo não o agradava. Mas da mesma forma, não ouve uma só palavra de oposição. Ao invés disso, a preocupação lhe tomou o corpo:

- E Raziel, como posso encontrá-lo?

Aquela mulher não compreende a compaixão de Daniel por alguém que não deveria incomodar com sua vida. Afinal, Raziel era o mais sábio e poderoso do círculo. Por esse motivo, ela dá de ombros e diz:

- Iluminado, não acredito que seja importante vê-lo agora... seu corpo ainda não está totalmente recuperado e...

Daniel não aguarda ela terminar sua fala, somente vira-se para a porta e diz:

- Deixe-me procurar por ele... vejo que falta disposição de sua parte para revelar onde está aquele que procuro. Não me preocupo com a dor que me perfura, sinto por alguém que me conhece mais do que a mim mesmo...

Ela fica sem palavras. Ele estava certo e mesmo sendo de um posto acima daquele que era pertencia, fora completamente desrespeitado por sua falta de tato. Talvez sua mente ainda não estivesse tão clara, talvez ela somente não compreendesse o anjo e sua preocupação.

Capítulo 5 – A Castidade e a Impureza

Daniel se vê diante um dos grandes membros da corja do Inferno, um Grão Duque Infernal. Ele não reage, não pensa. Seu corpo somente treme com o nome daquele ser, com sua aparência brutal e com sua onipotência. Neste momento, as palavras de Raziel não faziam mais sentido, as palavras de Azazel não importavam, nada era mais angustiante do que aquela situação. Algo impedia o corpo dele de correr, mas da mesma forma, algo lhe dizia para fugir o mais rápido que pudesse e mesmo assim não seria o suficiente.

Percebendo a reação de Daniel, Raziel não encontra outra opção a não ser lutar. Mas ele se vê relutante a ferir o corpo que portava, afinal, não era sua manifestação angelical e sim o corpo de um humano que não tinha nada a ver com essa batalha. Porém, a urgência logo se é notada com as palavras do inimigo:

- HAHAHAHAHA! Raziel e Daniel. Vim à procura de um patinho e logo encontro dois deles. Vou fazer um bom lanche...

Raziel não perde a oportunidade para rebater as palavras do demônio:

- Não cante vitória antes do combate terminar Astaroth... Não se esqueça de que sou o líder de minha ordem e que posso enviá-lo de volta de onde saiu.

Astaroth rosna para o Querubin e então rebate:

- Não me importa. Este corpo que carrega não faz de você um grande importuno, assim como este franguinho ao seu lado. Afinal, por que protege um dos caídos? Não é de contra-gosto divino que você faça isso?

Raziel olha para Daniel. As palavras de Astaroth tinham sentido, já que Daniel tinha sido banido dos céus para viver na terra como um humano. Mas é neste momento que Raziel se levanta, e com ele erguem-se asas de pura energia angelical, antes não vistas por Daniel mas que agora eram perfeitamente visíveis. O líder dos Querubins diz:

- Minha missão neste mundo é cuidar da Humanidade... Daniel agora é um humano e é meu dever protegê-lo.

Daniel olha para Raziel e franze o cenho. Há pouco ouvira que era um anjo, agora ouve que não é mais. Não sabia ao certo o que pensar, ainda mais diante deste acontecimento. Não compreendendo o que se passava, o jovem desiste de levantar-se e fica onde estava.

Raziel por sua vez ergue-se no ar, como se levitasse e se prontifica a ficar cara-a-cara com Astaroth. O demônio somente observa e encara o Querubin. Os dois se entreolham por algum tempo até que Astaroth diz:

- Raziel, você sabe como nossos relacionamentos não vão bem. Sabe como seus companheiros e nós estamos em conflito há anos. Por que não entrega esse ex-pastor e vai cuidar de suas ovelhas... acredito que ele não é mais importante para vocês e o inferno aguarda mais um destes para ser torturado pela eternidade.

Raziel olha sério para Astaroth e logo em seguida olha para Daniel. Como se ele fosse tomado por uma idéia, este volta-se para o demônio novamente, porém agora com um sorriso no rosto. Então o anjo diz:

- Não. Daniel não está aqui por acaso... eu também não. Nenhum de nós está. Você tem um motivo para estar aqui, nós também. Acho melhor que você volte ao inferno e esqueça dos teus planos, pois Daniel nunca pertencerá a esse seu mundo.

Astaroth retira o peso daquele machado dos ombros levando-o até o lado de seu corpo, próximo dos pés. Ele bufa dizendo:

- Então não tenho outra escolha a não ser levá-lo a força.

Raziel esperava por um combate direto e por isso se preparou para o conflito. Não poderia ferir aquele corpo, pois era emprestado. Seu verdadeiro corpo ainda estava se recuperando de um recente conflito. Porém, devido aquelas circunstâncias, ele sabia que se não tomasse cuidado, logo perderia muito usando aquela carapaça. De forma inversa, Astaroth aparentava querer usar de tudo daquele corpo, fazendo-o em pedaços caso fosse necessário para atingir seus objetivos. Os dois ficam se olhando, esperando o primeiro ataque um do outro, até que este surge.

Daniel estava logo abaixo dos dois, agora ele podia ver perfeitamente as asas de pura energia branca de Raziel. As mesmas que ele usou para carregá-lo para longe daquelas criaturas que ele dizia ter visto no Hospital. Os dois conversavam algo que ele não compreendia e então ficaram em silêncio. O jovem não pretendia se meter, mas também não queria sair e deixar Raziel por lá. O anjo era o único que poderia responder suas respostas. Assim que se sente seguro para levantar-se, Daniel o faz pensando em poder ouvir a conversa dos dois, mas para sua surpresa algo inexplicável acontece. Os céus começam a tremer como se trovões cruzassem-nos, mas apesar da chuva, nenhum trovão surgia e nem ao menos um pequeno raio. Os dois iniciavam um combate onde a única coisa que podia ser vista e distinguida era um enorme conflito que gerava diversas explosões aleatórias no céu. Tão logo se inicia, o chão começa a tremer novamente e o deslize de terras continua, cada vez mais forte. Daniel acreditava que agora estaria morto, pois o chão abaixo de seus pés também ruía. Mas para sua surpresa uma voz quase angelical cochicha em seus ouvidos que estava ali para salvá-lo.

Surpreso, ele olha para trás e nota a presença de uma mulher de longos cabelos cacheados e loiros, pele bronzeada num tom claro, expressão amigável. Ela estendia a mão em sua direção como se fosse segurá-lo, quase que pedindo permissão para ajudá-lo. Daniel, agindo por impulso, acaba estendendo a mão e segurando a dela. Aquela mulher puxa-o com uma força que não aparentava possuir, os dois começam a correr como se fugissem da morte. Ele ainda olha para trás como se sentisse por deixar Raziel, mas não podia ignorá-la, como se ela houvesse lhe enfeitiçado. Ao chegarem em uma rua próxima do local, que ainda estava inteira, eles entram em um tipo de carro onde alguém aguardava no banco do motorista. Ela acena para que o motorista siga e eles saem do local às pressas. Daniel não consegue dizer uma palavra. Com muito pesar em seu peito, ele repousa no banco. Algo o angustiava ao ponto dele acabar apagando, talvez de cansaço, talvez de tão confuso que estava.

Raziel usava de todo o seu poder angelical para bloquear os golpes do machado de Astaroth. O corpo humano que carregava não suportava seu real poder, por isso ele estava completamente limitado, além do fato de que seus poderes reduziam cada vez mais em que vivia como um humano. Porém, quando ele percebe que sua convocação do círculo havia funcionado e que eles já haviam levado Daniel, um grande alívio toma conta de seu ser. Mas isso não era o suficiente, pois somente o pesar que carregava já era suficiente para fazer de Astaroth melhor do que ele no combate.

O gigante Grão Duque desfere diversos golpes contra Raziel, algumas vezes se ferindo com o próprio machado para tentar ferir o inimigo de qualquer forma. Inversamente do que o anjo fazia, ao usar toda a sua energia para se esquiva e proteger o corpo que carregava. Logo que percebe isso, o demônio diz:

- Raziel... Não irá aguentar muito tempo fugindo como uma lebre...

O Querubim continua a fugir, mas acaba sendo ferido em seu braço. Ele empurra o demônio e gira o corpo desferindo um chute contra seu peito fazendo-o se afastar por alguns metros no ar. Distantes, eles se entreolham sérios. Raziel olha para seus ferimentos e então se enraivece, enquanto Astaroth começa a gargalhar espelhando o sangue de suas feridas por seu rosto. O anjo diz:

- Me enoja ver como eles não são nada para vocês...

Astaroth responde:

- Carne humana é como qualquer outra carne. Deixaram há muito tempo de serem abençoados por um Deus. Ele abandonou sua criação, assim como abandonou vocês.

Irritado com as palavras do demônio, Raziel diz:

- O Altíssimo nunca nos deixou, muito menos a eles. E eu vou lhe dar uma prova disso...

Raziel fecha as mãos e leva-as à sua boca, sobrepondo uma sobre a outra. Com um sopro ele começa a afastar as mãos e os ventos seguem seus comandos. Logo se forma em suas mãos uma grande espada de vento. Usando de sua força e de sua aura angelical, ele separa as duas mãos fazendo com que aquela grande espada de vento se partisse em duas. Astaroth não aguarda o término dos movimentos do anjo e logo se prontifica a atacá-lo com grande fúria. Assim que desfere um poderoso golpe o corpo de Raziel desaparece no ar. O demônio confuso olha para os lados procurando pelo anjo e então seus braços se rasgam com a fúria dos ventos. Raziel aparece alguns metros à cima dele e com os braços abertos, baixando as mãos que empunhavam as espadas de vento, ele diz:

- Deus, me perdoe por ferir este corpo mortal... mas irei expurgar este demônio para o fim, onde ele deveria estar.

 

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